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  • Bruno Reis

Teoria das Cores: Círculo Cromático e Harmonia das cores

É natural do ser humano buscar harmonia e equilíbrio nas coisas. Nas cores não poderia ser diferente. Vimos nesse post alguns exemplos de círculos cromáticos e suas finalidades. Independente do propósito, existe algumas relações nas cores que podem ajudar numa composição harmônica.

Qualquer que seja seu círculo cromático, o objetivo dele é mostrar matizes que funcionarão bem juntos. Existe inúmeras combinações no espectro de cores, vamos citar alguns esquemas importantes.

Complementares


Cores Complementares

Duas cores em lados opostos no círculo. As cores complementares permitem forte contraste – seu uso resulta em um design mais vibrante.



Análogas

Cores Análogas

São cores em ambos os lados da cor principal selecionada, ou seja, são três seguimentos de cores consecutivos do círculo. Permitem uma mistura harmônica e natural das cores.


Complementares divididas


Complementares Divididas

Consiste em três cores: a cor principal e duas cores adjacentes à sua complementar.


Tríades


Triádes

São quaisquer três cores no círculo equidistantes. Todas em contraste entre si, um esquema de tríades cria uma certa tensão na composição. Os espaços de cores primários e secundários são tríades.


Complementares mútuas


Complementares Mútuas

Um conjunto de complementares mútuas é uma tríade de cores equidistantes junto à cor complementar central a ela.


Complementares próximas


Complementares Próximas

É uma das cores adjacentes à complementar da cor principal selecionada.


Complementares duplas


Complementares Duplas

São quaisquer duas cores adjacentes e suas duas complementares, posicionadas no lado oposto do círculo cromático.

Os esquemas de cores muitas vezes são chamados de harmonia. Nesse contexto, harmonia se relaciona com a expectativa de equilíbrio total ou neutralidade do olho/cérebro.

Lembrando que, os círculos cromáticos mostrados acima, representam uma única saturação para as matizes, ou seja, para ter um resultado melhor será necessário ajustes no brilho e saturação das cores para igualar sua força visual.

Goethe e a proporção das cores

Goethe formulou uma escala de forças relativas com esse propósito de igualar as forças visuais em um conjunto de cores. Você pode utilizar a fórmula como descrita, ou exagerá-la, para obter resultados mais dramáticos.

Para Goethe, a proporção entre as cores depende das suas luminosidades, quanto mais luminosa a cor, menos ela será utilizada na composição. Temos como exemplo o amarelo, cuja cor apresenta uma alta luminosidade do que as outras, ela ocupa 17% do espaço. Para se igualar ao amarelo, o azul vai precisar de 47% do espaço e o vermelho de 36%.



Além da escala de forças relativas das cores, Goethe estabeleceu uma proporção para as cores primárias e secundárias. A abordagem filosófica de Goethe sobre as cores tinha como foco principal as sensações, trabalhando por meio de observações da percepção humana em lugar da física da luz, como Newton fazia.

Por não comprovar cientificamente, suas teorias caíram em descredito e não despertou interesse nos artistas da época. Mas suas teorias foram resgatadas no início do século XX entre estudiosos da Gestalt e professores da Bauhaus.


Sistemas de cor e Gamult

Falamos nesse post sobre as cores primarias e secundárias, e como funciona a absorção e reflexão da cor nos sistemas RGB e CMY. Iremos destrinchar mais sobre esses sistemas de cores para que possa ficar mais clara a compreensão.

Sistema RGB X Sistema CMY


RGB é uma sigla que vem do inglês: Red, Blue, Green para definir o sistema de cor aditivo vermelho, azul e verde.

O RGB é também conhecido por Cor Luz, que são provenientes de corpos que emitem luz. É utilizado no cinema, fotografia, vídeo e telas de computadores.

Quando falamos do sistema CMY, falamos de Cor Pigmento, é um processo oposto. No RGB, denominado processo aditivo, ao somarmos todas as 3 cores obtemos o branco. Já no sistema de cor CMY, denominado processo subtrativo, ao somarmos todas as 3 cores obtemos uma cor cinza bem escura, não chega a ser um preto total. Para isso, foi adicionado o pigmento preto, chamado de cor chave (Key), daí que vem a sigla CMYK (Cian, Magenta Yellow, Black), que é utilizada nos processos de impressão.

Apesar dos dois sistemas de cores parecerem homólogos, na prática as coisas são bem diferentes, pois existe uma limitação física que impede as cores RGB serem idênticas quando impressas. Esse assunto é mais voltado para a parte de impressões, mas resumidamente, quando tentamos imprimir as cores luz, o resultado são cores mais “lavadas” e sem brilho. Isso se deve às limitações físicas do processo, bem como aos pigmentos usados, que por mais puros que sejam, reagem quimicamente de maneira diversa à esperada.

Gamut


O gamut descreve o espectro de cores que um sistema, aparelho ou processos específico pode reproduzir, ou seja, até onde vai sua variedade de cores. Cada ferramenta de design (scanners, monitores, aplicativos e processos de impressão) trabalha com um espaço de cor diferente. Esses espaços definem o gama, ou gamut, das cores disponíveis. Para entender melhor o gamut, é necessário compreender o diagrama CIE, que são resultados de pesquisas a respeito da visão humana.

Essa curva em forma de ferradura são as cores que enxergamos no arco-íris, ou seja, são as cores que realmente existe na natureza. Os números em cinza correspondem ao comprimento de onda (falaremos sobre cores e comprimento de onda em outra postagem), por exemplo: o vermelho possui um comprimento de onda de 620nm ou 0,000620mm.

Apenas lasers conseguem reproduzir as cores da borda do gráfico, sistema de cores reproduzidos por computadores, por exemplo, sempre reproduz essas cores com alguma mistura.

No meio do gráfico temos tons pastéis e ao centro o branco, que é o resultado de uma mistura perfeitamente balanceada de todas as cores.

Os triângulos sobrepostos ao gráfico mostram alguns gamuts de sistemas de cor.

Os mais conhecidos deles, o sRGB e o Adobe RGB, são utilizados em monitores de computadores e em câmeras fotográficas. Apesar da limitação na área do gráfico, esses sistemas ainda conseguem representar muito bem as cores que vemos na natureza. Não são cores puras, mas é o suficiente para representar uma imagem fiel da realidade. O desenvolvimento de aparelhos que reproduzissem cores puras e totalmente fieis custariam muito caro para a produção em massa, talvez essa limitação seja superada com o tempo, como por exemplo, as telas Oled, que têm o gamut maior que as LCD.

Trabalhar com imagens digitais envolvem inúmeros fatores como, a marca da tela onde se vê a imagem, a calibragem da tela e o sistema de cor da tela. Essas variantes acabam influenciando diretamente na percepção das cores que o usuário enxerga. A situação complica quando vamos imprimir determinadas cores, como disse anteriormente, o sistema de cor CMYK possui um gamut muito menor, deixando as cores sem brilho e pouco saturadas.

Para concluir, a cor e suas teorias são importantes conceitos para aplicarmos nos projetos, seja de design, seja arquitetônico, cinema, etc. Existem círculos cromáticos pré-estabelecidos, mas nada impede de você criar sua própria gama de cores para seus projetos. Não é uma regra a se seguir, encare mais como um norte, um caminho com várias ramificações para se explorar. Vimos também certas limitações para trabalhar com as cores, seja no monitor, seja na impressão. O ideal é se atentar as variações tonais nos dois processos para não haver tanta mudança nas cores, tentar trabalhar com cores que atendam muito bem tanto no digital quanto no impresso.

Nos post a seguir, falaremos mais sobre as cores, porém focado nas sensações que elas nos provocam, trazendo uma abordagem voltada para a psicologia das cores e como elas influenciam na percepção dos consumidores.

Fontes:

O guia completo da cor, Editora Senac.

Cor, editora Bookman

Elvis Pfützenreuter - O que é gamut ou gama de cores, disponível em: https://epxx.co/artigos/gamut.html

COR LUZ, COR PIGMENTO E OS SISTEMAS RGB E CMY THE ADDITIVE COLOR MODEL RGB, AND SUBTRACTIVE COLOR MODEL CMY Prof. Me. João Carlos Rocha, disponível em: https://www.belasartes.br/revistabelasartes/downloads/artigos/3/cor-luz-cor-pigmento-e-os-sistemas-rgb-e-cmy.pdf

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